Gotas de luz e perfume,
Leves, tênues, delicadas,
Acesas no doce lume
De purpúreas alvoradas. Pingos de ouro cristalinos
Alados na esfera, ondeando,
Dispersos por entre os hinos,
Da natureza vibrando. Sorrisos aéreos, soltos,
Flavas asas radiantes,
Que levam consigo envoltos
Da aurora os sóis fecundantes. Da aurora que a primavera
Faz cantar, brota no peito
E floresce em folhas de hera
O coração satisfeito. Essa aurora produtiva
Do amor soberano e eterno,
Que é nas almas força viva
E nas abelhas falerno. Nas doudejantes abelhas
Que dentre flores volitam
E do sol entre as centelhas
Resplendem, fulgem, palpitam. Zumbem, fervem nas colméias
E rumorejam no enxame
Pelas flóridas aléias
Onde um prado se derrame. Assim mesmo pequeninas
E quase invisíveis, quase,
Com as suas asitas finas,
De etérea de fluida gaze. Ah! quanto são adoráveis
Os favos que elas fabricam!
Com que graças inefáveis
Se geram, se multiplicam. Nos afãs industriosos
Que enlevo, que encanto vê-las
Com seus corpos luminosos
D'iriante brilho d'estrelas. E nas ondas murmurosas
Dos peregrinos adejos
Vão dar ao lábio das rosas
O mel doirado dos beijos.
Sempre que o Sol Pinta de anil Todo o céu O girassol Fica um gentil Carrossel. O girassol é o carrossel das abelhas. Pretas e vermelhas Ali ficam elas Brincando, fedelhas Nas pétalas amarelas. - Vamos brincar de carrossel, pessoal? - "Roda, roda, carrossel Roda, roda, rodador Vai rodando, dando mel Vai rodando, dando flor." - Marimbondo não pode ir que é bicho mau! - Besouro é muito pesado! - Borboleta tem que fingir de borboleta na entrada! - Dona Cigarra fica tocando seu realejo! - "Roda, roda, carrossel Gira, gira, girassol Redondinho como o céu Marelinho como o Sol." E o girassol vai girando dia afora... O girassol é o carrossel das abelhas.
Quem disse à estrela o caminho Que ela há-de seguir no céu? A fabricar o seu ninho Como é que a ave aprendeu? Quem diz à planta «Florece!» E ao mudo verme que tece Sua mortalha de seda Os fios quem lhos enreda?
Ensinou alguém à abelha Que no prado anda a zumbir Se à flor branca ou à vermelha O seu mel há-de ir pedir? Que eras tu meu ser, querida, Teus olhos a minha vida, Teu amor todo o meu bem... Ai!, não mo disse ninguém.
Como a abelha corre ao prado, Como no céu gira a estrela, Como a todo o ente o seu fado Por instinto se revela, Eu no teu seio divino . Vim cumprir o meu destino... Vim, que em ti só sei viver, Só por ti posso morrer.
Almeida Garrett
Uma pergunta curiosa, Não me dirás, flor vermelha, porque é que Deus te fez Rosa e a mim não fez abelha...
Quando, em prônubo anseio, a abelha as asas solta E escala o espaço, - ardendo, êxul do corcho céreo, Louca, se precipita a sussurrante escolta Dos noivos zonzos, voando ao nupcial mistério.
Em breve, sucumbindo, o enxame arqueja, e volta... Mas o mais forte, um só, senhor do excelso império, Segue a esquiva, e, em zunzum zeloso de revolta, Entoa o epitalâmio e o cântico funéreo:
Toca-a, fecunda-a, e vence, e morre na vitória... A esposa, livre, ao sol, no alto do firmamento, Palra, e, rainha e mie, zumbe de orgulho e glória;
E, rodopiando, inerte, o suicida sublime, Entre as bênçãos da luz e os hosanas do vento, Rola, mártir feliz do delicioso crime. Olavo Bilac
A aaaaaaabelha mestra E aaaaaaas abelhinhas Estão toooooooodas prontinhas Pra iiiiiiir para a festa.
Num zune que zune Lá vão pro jardim Brincar com a cravina Valsar com o jasmim.
Da rosa pro cravo Do cravo pra rosa Da rosa pro favo Volta pro cravo.
Venham ver como dão mel As abelhinhas do céu! Vinicius de Moraes
terça-feira, 12 de março de 2013
Quando comunga, a alma se impregna do bálsamo do amor, como a abelha do perfume das flores. São João Maria Vianney.
Letras são abelhas, palavras enxames, livros colméias... Leitores flores, autores apicultores...E a literatura uma infinita fábrica de mel. M. M. Soriano