Gotas de luz e perfume, Leves, tênues, delicadas, Acesas no doce lume De purpúreas alvoradas.
Pingos de ouro cristalinos Alados na esfera, ondeando, Dispersos por entre os hinos, Da natureza vibrando.
Sorrisos aéreos, soltos, Flavas asas radiantes, Que levam consigo envoltos Da aurora os sóis fecundantes. Da aurora que a primavera Faz cantar, brota no peito E floresce em folhas de hera O coração satisfeito.
Essa aurora produtiva Do amor soberano e eterno, Que é nas almas força viva E nas abelhas falerno.
Nas doudejantes abelhas Que dentre flores volitam E do sol entre as centelhas Resplendem, fulgem, palpitam. Zumbem, fervem nas colméias E rumorejam no enxame Pelas flóridas aléias Onde um prado se derrame.
Assim mesmo pequeninas E quase invisíveis, quase, Com as suas asitas finas, De etérea de fluida gaze.
Ah! quanto são adoráveis Os favos que elas fabricam! Com que graças inefáveis Se geram, se multiplicam. Nos afãs industriosos Que enlevo, que encanto vê-las Com seus corpos luminosos D′iriante brilho d′estrelas.
E nas ondas murmurosas Dos peregrinos adejos Vão dar ao lábio das rosas O mel doirado dos beijos. Cruz e Souza