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Com relutância
emerge e abelha
do coração da peônia
Matsuo Bashô
Na curva da primavera,
no alto da montanha,
abelhas fabricam mel.
zumbem, dançam, rodopiam,
cantam para as flores
o azul do dia.
Roseana Murray
Uma boa abelha não pousa em flores murchas.
Provérbio português
Gotas de luz e perfume,
Leves, tênues, delicadas,
Acesas no doce lume
De purpúreas alvoradas.
Pingos de ouro cristalinos
Alados na esfera, ondeando,
Dispersos por entre os hinos,
Da natureza vibrando.
Sorrisos aéreos, soltos,
Flavas asas radiantes,
Que levam consigo envoltos
Da aurora os sóis fecundantes.
Da aurora que a primavera
Faz cantar, brota no peito
E floresce em folhas de hera
O coração satisfeito.
Essa aurora produtiva
Do amor soberano e eterno,
Que é nas almas força viva
E nas abelhas falerno.
Nas doudejantes abelhas
Que dentre flores volitam
E do sol entre as centelhas
Resplendem, fulgem, palpitam.
Zumbem, fervem nas colméias
E rumorejam no enxame
Pelas flóridas aléias
Onde um prado se derrame.
Assim mesmo pequeninas
E quase invisíveis, quase,
Com as suas asitas finas,
De etérea de fluida gaze.
Ah! quanto são adoráveis
Os favos que elas fabricam!
Com que graças inefáveis
Se geram, se multiplicam.
Nos afãs industriosos
Que enlevo, que encanto vê-las
Com seus corpos luminosos
D′iriante brilho d′estrelas.
E nas ondas murmurosas
Dos peregrinos adejos
Vão dar ao lábio das rosas
O mel doirado dos beijos.
Cruz e Souza
"Seja como a abelha, presa na armadilha das pétalas do
lótus que se fecham. O Senhor de Mira é o galante Shiva. Ela diz:
Ofereça sua mente a esses pés de lótus.
Como o lótus vive na água,
eu vivo em ti. Como o pássaro que contempla a noite inteira a lua que
passa, eu me perdi, morando em ti..."
(Poema escrito por Bhakta indiana Mirabai)
Este pó foram damas, cavalheiros,
Rapazes e meninas;
Foi riso, foi espírito e suspiro,
Vestidos, tranças finas.
Este lugar foram jardins que abelhas
E flores alegraram.
Findo o verão, findava o seu destino...
E como estes, passaram.
Emily Dickinson
(Antologia da Poesia Americana, Ediouro, 1992 - RJ, Brasil. Tradução de Manuel Bandeira)
Polvilha de oiro e de prata
O campo, o bosque, o vergel;
Aos seus lábios de escarlata
Vai buscar a abelha o mel.
Guerra Junqueiro
De vastos campos de excelência de palmares,
Lindas e florida de cores das lindas das cores de uma primavera,..
Aprendereis entre as abelhas livres e soltas
O sugar do doce néctar para produção do doce mel,..
Aprenderei entre as abelhas o beijo da flor,..
Ao beijar aos lábios como flor doce,..
Entregar ao mel aos lábios deleitados feito o véu,.
A abelha e fonte de vida
Como vida exala amor a flor,..
Mensageira do amor,..
Do dar e receber! Da necessidade de um êxtase
De ambas da abelha e a flor,..
O néctar e o beijo doce,..
Onde plantas o amor.
Autor:Ed.Cruz
Sob o caramanchão de glicínia lilás
As abelhas e eu
Tontas de perfume
Lá no alto as abelhas
Doiradas e pequenas
Não se ocupavam de mim
Iam de flor em flor
E cá em baixo eu
Sentada no banco de azulejos
Entre penumbra e luz
Flor e perfume
Tão ávida como as abelhas.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Gotas de luz e perfume,
Leves, tênues, delicadas,
Acesas no doce lume
De purpúreas alvoradas.
Pingos de ouro cristalinos
Alados na esfera, ondeando,
Dispersos por entre os hinos,
Da natureza vibrando.
Sorrisos aéreos, soltos,
Flavas asas radiantes,
Que levam consigo envoltos
Da aurora os sóis fecundantes.
Da aurora que a primavera
Faz cantar, brota no peito
E floresce em folhas de hera
O coração satisfeito.
Essa aurora produtiva
Do amor soberano e eterno,
Que é nas almas força viva
E nas abelhas falerno.
Nas doudejantes abelhas
Que dentre flores volitam
E do sol entre as centelhas
Resplendem, fulgem, palpitam.
Zumbem, fervem nas colméias
E rumorejam no enxame
Pelas flóridas aléias
Onde um prado se derrame.
Assim mesmo pequeninas
E quase invisíveis, quase,
Com as suas asitas finas,
De etérea de fluida gaze.
Ah! quanto são adoráveis
Os favos que elas fabricam!
Com que graças inefáveis
Se geram, se multiplicam.
Nos afãs industriosos
Que enlevo, que encanto vê-las
Com seus corpos luminosos
D'iriante brilho d'estrelas.
E nas ondas murmurosas
Dos peregrinos adejos
Vão dar ao lábio das rosas
O mel doirado dos beijos.
Cruz de Souza
Sempre que o Sol
Pinta de anil
Todo o céu
O girassol
Fica um gentil
Carrossel.
O girassol é o carrossel das abelhas.
Pretas e vermelhas
Ali ficam elas
Brincando, fedelhas
Nas pétalas amarelas.
- Vamos brincar de carrossel, pessoal?
- "Roda, roda, carrossel
Roda, roda, rodador
Vai rodando, dando mel
Vai rodando, dando flor."
- Marimbondo não pode ir que é bicho mau!
- Besouro é muito pesado!
- Borboleta tem que fingir de borboleta na entrada!
- Dona Cigarra fica tocando seu realejo!
- "Roda, roda, carrossel
Gira, gira, girassol
Redondinho como o céu
Marelinho como o Sol."
E o girassol vai girando dia afora...
O girassol é o carrossel das abelhas.
Vinicius de Moraes
Quem disse à estrela o caminho
Que ela há-de seguir no céu?
A fabricar o seu ninho
Como é que a ave aprendeu?
Quem diz à planta «Florece!»
E ao mudo verme que tece
Sua mortalha de seda
Os fios quem lhos enreda?
Ensinou alguém à abelha
Que no prado anda a zumbir
Se à flor branca ou à vermelha
O seu mel há-de ir pedir?
Que eras tu meu ser, querida,
Teus olhos a minha vida,
Teu amor todo o meu bem...
Ai!, não mo disse ninguém.
Como a abelha corre ao prado,
Como no céu gira a estrela,
Como a todo o ente o seu fado
Por instinto se revela,
Eu no teu seio divino .
Vim cumprir o meu destino...
Vim, que em ti só sei viver,
Só por ti posso morrer.
Almeida Garrett
Uma pergunta curiosa,
Não me dirás, flor vermelha,
porque é que Deus te fez Rosa
e a mim não fez abelha...
Guerra Junqueiro
A uma papoila vermelha
Confio o olhar:
Guloso dela,o meu olhar é como uma abelha.
A que havia eu, senão a ela,de o confiar?
A uma papoila vermelha
me dou inteiro,
que do sol,além do ímpeto,tem o cheiro.
Armindo Magalhães
Ainda a flor sorria
Do beijo que a abelha deu
Outra abelha lhe pedia
Um pouco do pólen seu
Mais um sorriso surgiu
Pelo gesto carinhoso
E logo depois partiu
Com seu manjar guloso
Junta-se à abelha anterior
No voo para a colmeia
Numa aliança em puro anel
São percursos de amor
Que a natureza incendeia
E nos dão o saboroso mel
António MR Martins
Quando, em prônubo anseio, a abelha as asas solta
E escala o espaço, - ardendo, êxul do corcho céreo,
Louca, se precipita a sussurrante escolta
Dos noivos zonzos, voando ao nupcial mistério.
Em breve, sucumbindo, o enxame arqueja, e volta...
Mas o mais forte, um só, senhor do excelso império,
Segue a esquiva, e, em zunzum zeloso de revolta,
Entoa o epitalâmio e o cântico funéreo:
Toca-a, fecunda-a, e vence, e morre na vitória...
A esposa, livre, ao sol, no alto do firmamento,
Palra, e, rainha e mie, zumbe de orgulho e glória;
E, rodopiando, inerte, o suicida sublime,
Entre as bênçãos da luz e os hosanas do vento,
Rola, mártir feliz do delicioso crime.
Olavo Bilac
A aaaaaaabelha mestra
E aaaaaaas abelhinhas
Estão toooooooodas prontinhas
Pra iiiiiiir para a festa.
Num zune que zune
Lá vão pro jardim
Brincar com a cravina
Valsar com o jasmim.
Da rosa pro cravo
Do cravo pra rosa
Da rosa pro favo
Volta pro cravo.
Venham ver como dão mel
As abelhinhas do céu!
Vinicius de Moraes
Quando comunga, a alma se impregna
do bálsamo do amor, como a abelha
do perfume das flores.
São João Maria Vianney.
Letras são abelhas, palavras enxames, livros colméias... Leitores flores, autores apicultores...E a literatura uma infinita fábrica de mel.
M. M. Soriano